sábado, 4 de setembro de 2010
 
 
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Lirismo das Sarjetas

# 6 #
- (22/11/2009 )


   
Como me acostumar com o vazio, quando é a zona tudo que conheço ? E todos aqueles acúmulos, entulhos, bagulhos, úteis ou não, cada um de uma forma já faziam parte de mim. Preenchiam parte do buraco e me distraíam do que agora, escancarado na minha cara, não tenho mais como negar.
O silêncio é mais alto do que qualquer barulho que já tenha ouvido. Incomoda, perturba, e às vezes sinto medo que meus ouvidos cheguem a sangrar por sua causa. Ele grita, mas eu pareço ser a única a escutar... cada vez mais enrolada em idéias e pensamentos que passam freneticamente na minha cabeça, tomada por palavras, fragmentos de coisas que na maior parte do dia não me dou nem ao trabalho de entender. Mas quando chega a noite...
Sinto falta do circo. Principalmente dos dias de espetáculo, onde em toda a sua glória, com a velha lona levantada, por alguns segundos podíamos fazer mágica. Ou pelo menos era o que sentíamos, cada vez que nossos olhos se cruzavam com o olhar ansioso e espantado ou um sorriso sincero de uma criança, tivesse ela 7 ou 70 anos.
E ali, o silêncio era parte da brincadeira. Leve, excitante, risonho, encantado, aguardando por um truque novo ou algo que enchesse os olhos da multidão faminta por mais...
Como esquecer dos aplausos, das flores, de toda a gente e me contentar com o destino ordinário que me foi reservado ? Quando as luzes se apagam e cai o pano, a melhor parte de mim cai também e parte, tal qual o circo. Agora só me restam lembranças e truques que já cansei de tirar da cartola.
... estou exausta ...


Débora Fontoura
 
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